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“O racismo no banco dos réus”: estudantes do DF vão discutir racismo e mercado de trabalho no TST

27/4/2026 - O Tribunal Superior do Trabalho (TST) receberá, nesta terça e quarta-feira (28 e 29), 450 estudantes do Instituto Federal de Brasília (IFB) e do Centro Educacional 104 do Recanto das Emas para discutir o racismo em uma atividade que une educação e justiça. Eles participarão ativamente da peça “O racismo no banco dos réus” e, no papel de jurados, serão protagonistas de um julgamento em que terão de tomar uma decisão importante sobre o destino de Francisco, último homem negro escravizado condenado à pena de morte no Brasil.  “O racismo no banco dos réus” terá três apresentações no TST. A peça é uma ação de arte-educação destinada a estudantes do ensino médio e do nono ano do ensino fundamental que propõe a encenação teatral de um júri para promover debates críticos sobre racismo. Inspirada em uma história real, a trama discute as dinâmicas do processo de escravidão e punição que, até hoje, afetam a população negra em persos ambientes, inclusive nas relações de trabalho.  Para a diretora da peça, Ana Flauzina, que também é professora da Universidade Federal da Bahia, a discussão sobre racismo no mercado de trabalho é essencial. “O trabalho é um dos lugares em que o racismo se atualiza”, afirma. “Falo de uma elite que está permanentemente tentando manter os privilégios de estado na escravidão, e o racismo é o grande mediador desse processo. É ele que organiza quem trabalha, como trabalha, quem recebe, quem pode viver com dignidade.” Violação persiste O Brasil contabilizou, em 2025, 4.515 denúncias de trabalho em situação análoga à escravidão, número recorde desde o início da série histórica. O dado integra mais de 26 mil denúncias recebidas entre 2011 e 2025, segundo informações do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), e evidencia a persistência de uma grave violação de direitos humanos no país. O trabalho doméstico continua entre as atividades com maior registro desse tipo de situação. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o setor emprega quase 6 milhões de pessoas, majoritariamente mulheres (90%), das quais 66% são negras. A formalização, porém, ainda é baixa: apenas 25% têm carteira assinada. É nesse contexto que Ana cita os casos de pessoas chamadas como “da família”, em sua maioria mulheres negras, levadas de seu local de origem para trabalhar em casas sem a garantia de salário e direitos trabalhistas “O racismo tem tudo a ver com isso. É aquela coisa de dar comida, dar casa, e isso substitui o salário, os direitos, o contrato”, observa. “Também tem uma lógica muito perversa de exploração de trabalho infantil nesses processos de pessoas que até hoje acolhem crianças em suas casas”.  Precarização e racismo A relação entre o que é discutido na peça e o mercado de trabalho reitera a necessidade de ambientes de trabalho inclusivos e estimula reflexões profundas sobre desigualdades salariais, segmentação ocupacional e interseccionalidade, temas estratégicos para o TST.  A precarização é outro tema que, segundo Ana Flauzina, traz o racismo enraizado: a terceirização, a intermediação irregular e a chamada pejotização dificultam o acesso a direitos trabalhistas, aumentam a informalidade e, no limite, colocam esse grupo “estigmatizado” na fronteira com a morte. “Estamos vendo aí os motoristas de aplicativo e, em especial, os que trabalham nas motos de forma tão precarizada e tão desprotegida, como um dado muito real. São esses homens, em sua maioria jovens negros, que estão se vulnerabilizando a partir do trabalho e se expondo a riscos que podem levar a fatalidades, com impactos sociais tanto para suas famílias como para a população negra e para o Brasil”, conclui.  (Lara Aliano/CF)
27/04/2026 (00:00)
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