Lançamento de inovações de inteligência artificial para o Judiciário marcam evento no CNJ
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) lançou, na tarde desta sexta-feira (24/4), a versão 2.0 da plataforma Sinapses, e a nova pesquisa “O uso da inteligência artificial (IA) generativa no Poder Judiciário brasileiro”. As iniciativas integram a agenda institucional da gestão do presidente do CNJ e do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, para a IA no Poder Judiciário.
A Plataforma Sinapses é um ecossistema nacional de inteligência artificial projetado para desenvolver, treinar, armazenar, gerar versões e auditar modelos de IA no Poder Judiciário brasileiro. Ela promove a colaboração entre tribunais, permitindo compartilhar soluções tecnológicas, agilizar processos e padronizar o uso de IA.
O lançamento do Snapse 2.0 e da pesquisa sobre inteligência artificial aconteceu durante o Encontro de Integração em Inteligência Artificial do Judiciário (IAJus 2026), realizado pelo CNJ. O ex-conselheiro do CNJ Giovanni Olsson, que presidiu a mesa de lançamento destacou a importância de o sistema de justiça ter uma IA eficiente, econômica e que garanta a soberania digital, autonomia e independência dos Poderes. “Isso dá para a Justiça celeridade, efetividade, julgamentos em maior quantidade, mas, por certo, sempre sem perder a qualidade e a humanidade dessas decisões”, acrescentou.
A primeira versão do Sinapses foi instituída pelo CNJ em agosto de 2020. O Sinapses 2.0 reúne modelos de inteligência artificial desenvolvidos pelos tribunais, com foco em ampliar o compartilhamento e reduzir a fragmentação de esforços.
Durante o evento, o juiz auxiliar da Presidência do CNJ João Felipe Menezes Lopes, supervisor do Departamento de Tecnologia da Informação (DTI) do órgão, considerou que a inteligência artificial é uma revolução de software, de códigos, mas também em termos de hardware. “Com a revolução em mente e tendo em conta todo esse contexto de universalização e do uso da inteligência artificial e das potencialidades dela, nós entendemos por bem que o Sinapses, tal como previsto em 2018, deveria mudar”, explicou.
Neste contexto, de acordo com o diretor do DTI, Thiago Vieira, o Sinapses agora está deixando de ser uma ideia de armazenamento central de modelos de predição para se tornar uma ferramenta de documentação e consolidação de projetos e sistemas existentes. “Saímos de um paradigma antigo de centralização e partimos para um paradigma de governança, distribuição e colaboração”, definiu.
O diretor do DTI informou que, a partir de segunda-feira (27/4), o Sinapse 2.0 já poderá ser utilizado para envio de informações em relação a projetos dos tribunais.
Dentre os avanços da nova versão, ele apontou o desbloqueio da inovação e governança mais transparente: “Agora temos mais capacidade de acompanhamento em tempo real de cada um desses projetos, saindo da perspectiva de um provedor de soluções central”.
Nova sondagem
O lançamento da nova pesquisa “O uso da inteligência artificial (IA) generativa no Poder Judiciário brasileiro” também aconteceu nesta tarde. Os tribunais já receberam o questionário que devem responder até 8/5.
A IA generativa é um tipo de inteligência artificial focada em criar conteúdos novos e originais — como textos, imagens, vídeos, áudios e códigos — a partir de solicitações (prompts) do usuário. Diferente da IA tradicional, que analisa dados existentes, a generativa usa aprendizado de máquina para gerar dados novos, baseando-se em padrões aprendidos em grandes bases de dados
A primeira pesquisa realizada amparou a edição da Resolução CNJ n. 615/2025, que reúne as normas que norteiam as condutas na utilização de inteligência artificial. “Acreditamos que o cenário pode ter mudado muito, com o avanço da tecnologia e configuração de grande número de ferramentas, do acesso às tecnologias”, avalia a diretora do Departamento de Pesquisas Judiciárias (DPJ) do CNJ, Gabriela Moreira.
Clique aqui e acesse o resultado da primeira pesquisa
Durante o evento, também foi lançado edital de chamamento público para seleção de soluções de IA, com o objetivo de incentivar o desenvolvimento e a difusão de ferramentas com potencial de replicação em diferentes órgãos.
O evento apresentou, ainda, iniciativas que passam a compor uma estratégia de nacionalização de soluções. Entre elas, o Bastião, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), voltado à identificação de demandas abusivas; o Janus, do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA), direcionado à automatização de tarefas processuais; e o Banco de Sentenças da Justiça Militar, que funciona como repositório para pesquisa e consulta de decisões.
Aplicações práticas da IA no Judiciário
Na mesma tarde, os painéis do evento abordaram diferentes frentes de utilização da inteligência artificial no sistema de justiça. As discussões incluíram o uso de ferramentas para triagem, classificação e gestão do acervo processual, bem como soluções voltadas à pesquisa, análise fático-jurídica e apoio à decisão judicial.
Também foram apresentados casos de uso relacionados à gestão administrativa e à prestação de serviços jurisdicionais ao cidadão, com foco em ganho de eficiência e melhoria do acesso à Justiça.
A plenária final do encontro discutiu prioridades regulatórias relacionadas à Resolução CNJ n. 615/2025.
Texto: Mariana Mainenti e Jéssica Vasconcelos
Edição: Waleiska Fernandes
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