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Em áudios, deputado Thiago Rangel dá ordens na Educação e negocia cargos para traficante, diz PF

Em áudios, deputado Thiago Rangel dá ordens na Educação e negocia cargos para traficante, diz PF Áudios e mensagens obtidos pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne mostram o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) atuando diretamente sobre cargos estratégicos da Secretaria Estadual de Educação e negociando vagas na área para pessoas ligadas ao traficante Arídio Machado da Silva Júnior, o “Júnior do Beco”, segundo a investigação. (Ouça acima os áudios que o RJ1 teve acesso). Rangel está preso há 13 dias, acusado de chefiar um esquema criminoso de fraudes e desvios de recursos da educação. Os diálogos fazem parte do inquérito que levou à prisão preventiva do parlamentar, decretada pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no fim de abril. Em um dos áudios atribuídos ao deputado, enviado à então diretora regional de Educação do Noroeste Fluminense, Júcia Gomes de Souza Figueiredo, Thiago ordena o que deve ser feito na estrutura da educação. 📱Baixe o app do g1 para ver notícias do RJ em tempo real e de graça “Júcia, continua aí do jeito que você tem que estar. Tudo que acontecer dentro da regional eu quero saber. Eu não tenho que dar satisfação a ninguém. O deputado sou eu. A indicação é minha e quem manda sou eu”. Segundo a Polícia Federal, a mensagem foi enviada em agosto de 2024 e extraída do celular de Júcia, que também foi presa na operação. 1 de 3 O deputado Thiago Rangel foi preso pela PF — Foto: Divulgação PF vê controle político De acordo com a investigação, a conversa foi encontrada no trecho do inquérito que apura possíveis fraudes em contratos de obras em escolas estaduais. Para os investigadores, o áudio demonstra que Júcia teria sido indicada diretamente por Thiago Rangel e mantinha relação de subordinação política ao deputado dentro da estrutura da Secretaria de Educação. A PF descreve Júcia como uma espécie de “longa manus” do parlamentar — expressão usada para indicar alguém que atuaria como extensão operacional do deputado dentro do órgão público. Os investigadores afirmam ainda que ela exercia função “vital” para o funcionamento do esquema criminoso, justamente por coordenar administrativamente dezenas de escolas estaduais. Na decisão que autorizou a prisão preventiva do deputado, Alexandre de Moraes reproduz os argumentos da Polícia Federal e afirma que os elementos apontam para a “instrumentalização” da Secretaria Estadual de Educação em benefício do grupo investigado. Transferência suspeita Outro diálogo destacado pela PF ocorreu em outubro de 2024. Segundo o relatório, Júcia encaminhou a Thiago Rangel um comprovante de transferência de R$ 100 mil da empresa VAR Construtora para a empresa E. H. Almeida de Souza Casas de Festas. 2 de 3 O traficante Arídio Machado da Silva Júnior, o Júnior do Beco — Foto: Reprodução/TV Globo Para a Polícia Federal, a movimentação reforça suspeitas de lavagem de dinheiro e circulação de recursos desviados de contratos públicos. A investigação aponta que a VAR Construtora aparece ligada a obras em escolas estaduais e não possuía funcionários registrados na Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), o que, segundo a PF, eleva o risco de fraude. Os investigadores afirmam ainda que a empresa destinatária dos valores seria usada para movimentação financeira do grupo investigado. Áudio liga deputado a criminoso Outro conjunto de mensagens analisado pela PF tenta demonstrar a relação de Thiago Rangel com Arídio Machado da Silva Júnior, o “Júnior do Beco”, apontado pela própria corporação como traficante de “alta periculosidade”, com antecedentes por homicídios e tráfico de drogas. Segundo a investigação, Thiago teria reservado vagas de “auxiliar de serviços gerais” na área da Educação para indicações feitas por “Júnior do Beco”. A PF afirma que Fábio Pourbaix pediu a Thiago o contato do traficante para saber quem seriam os indicados para os cargos. Em seguida, o deputado envia um telefone salvo como “Junior Beco”. De acordo com os investigadores, Thiago afirma que possuía oito vagas disponíveis na Educação e que uma delas deveria ser destinada a um indicado do traficante. Em um dos áudios pulgados pela PF, uma mulher identificada como Gleice Maria Batista da Silva cobra a nomeação prometida: “Thiago Rangel, aqui é Gleice, irmã de Juninho do Beco. Eu fui fazer uma entrevista em agosto ou setembro e até hoje não me deram uma posição. Meu irmão pediu para eu te ligar para ver o que estava acontecendo.” A PF afirma que posteriormente cruzou dados e identificou Gleice como irmã de “Júnior do Beco”. Distribuição de cargos As mensagens analisadas pela investigação também mostram orientações sobre a organização dos nomes indicados para os cargos. Em outro áudio, atribuído a Thiago Rangel, o deputado orienta: “Você faz dois bloquinhos, prende um papelzinho escrito Junior do Beco e bota um clip juntando os dois.” 🟩O g1 Rio está no GloboPop, o novo aplicativo de vídeos curtos verticais da Globo, disponível gratuitamente no seu celular. Lá no app, você pode seguir o palco do g1 Rio para não perder nenhum detalhe. Baixe o GloboPop. Segundo a Polícia Federal, os diálogos indicam: distribuição política de cargos públicos;uso da estrutura da Educação para atender interesses pessoais e alianças criminosas;proximidade entre o parlamentar e pessoas ligadas ao tráfico. Na decisão do STF, Alexandre de Moraes utiliza esses diálogos para reforçar o argumento de risco à ordem pública e de continuidade das atividades criminosas. Influência em órgãos públicos A investigação também revelou uma planilha encontrada no computador de Rui Bulhões, ex-chefe de gabinete do então presidente da Alerj Rodrigo Bacellar. O documento listava deputados estaduais, os órgãos sob influência política de cada um e novos cargos ou estruturas desejadas. Na planilha, Thiago Rangel aparece com influência sobre: Detran de Campos;IPEM de Campos;15 vagas na Alerj. Também constam pedidos relacionados a: Detro;Fundação Leão XIII;Fundação para a Infância e Adolescência (FIA);vagas na Secretaria Estadual de Trabalho. Segundo a PF, Thiago Rangel teria utilizado sua influência sobre o IPEM em benefício da própria rede de postos de combustíveis. A investigação afirma ainda que foram encontrados indícios de corrupção ativa e passiva envolvendo fiscais do órgão. A Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) disse que Thiago Rangel foi afastado por ordem o STF. Há uma semana, a Alerj exonerou os 40 assessores e a chefe de gabinete. O que dizem os citados A defesa de Thiago Rangel reafirmou, por meio de nota, a inocência do parlamentar. Disse que as mensagens foram tiradas de contexto e que ele não faz parte de organização criminosa, nem manteve contato ilícito com membros de facção. A reportagem também procurou as defesas de Fábio Poubaix e Jucia Gomes, mas não teve retorno até o fechamento desta edição. A Secretaria Estadual de Educação informou que está realizando uma revisão administrativa de todos os procedimentos relacionados às obras de manutenção nas escolas da rede. A Alerj se pronunciou com a seguinte nota: O deputado permanece afastado enquanto estiver em vigor a cautelar referendada pela Primeira Turma do STF. "A Mesa Diretora da Alerj se reuniu, na semana passada, e deliberou sobre o afastamento do parlamentar e destituição de seu gabinete enquanto perdurar a decisão judicial. Como não há previsão na legislação para a convocação do suplente nesse tipo de situação, a Alerj está estudando as formas para efetivar a convocação cautelar, de modo a restituir o quórum da Casa.
18/05/2026 (00:00)
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