Justiça do Trabalho inicia construção do Plano Estratégico 2027-2032
21/8/2026 - O Tribunal Superior do Trabalho (TST) e o Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) deram início oficial à elaboração do Plano Estratégico para o período 2027 a 2032. O objetivo central do novo plano é definir as diretrizes administrativas e operacionais que orientarão a Justiça do Trabalho nos próximos seis anos, com foco na melhoria dos serviços prestados e na capacidade de resposta às transformações do mundo do trabalho.
A iniciativa foi lançada na quarta-feira (19), no encontro “Justiça do Trabalho em 2032: Construindo o futuro com estratégia, inovação e impacto social”, que reuniu magistrados, gestores e especialistas.
Superação de modelos
Na abertura do evento, o presidente do TST e do CSJT, ministro Vieira de Mello Filho, destacou que o planejamento deve considerar não apenas as necessidades atuais, mas também o que a instituição pretende entregar à sociedade nos próximos anos. "Que Justiça do Trabalho queremos entregar à sociedade brasileira em 2032? O que precisamos começar a fazer hoje para estarmos preparados para esse futuro?", questionou.
Segundo o ministro, a construção do plano deve superar modelos de gestão burocráticos e pouco integrados e envolver diferentes áreas na definição das prioridades. “Não estamos aqui para tentar traçar o futuro isoladamente, mas para compartilhá-lo com cada área numa construção coletiva.”
Valores inegociáveis
Vieira de Mello Filho também ressaltou que, embora as ferramentas e métodos mudem, os valores centrais permanecem inegociáveis. "Nossa bússola continuará sendo a centralidade da pessoa humana, a valorização do trabalho, a efetividade dos direitos sociais e a promoção da justiça e da paz social", afirmou.
Governança antecipatória e "antifragilidade"
Uma das novidades do processo é a adoção de uma abordagem de governança antecipatória. Em vez de considerar apenas dados e experiências do passado, o planejamento vai mapear tendências, mudanças em curso e possíveis cenários futuros. Entre os temas a serem observados estão o avanço da inteligência artificial (IA) e a expansão do trabalho por plataformas digitais.
O secretário de Governança e Gestão Estratégica do CSJT, Dúlio Mendes Soares, explicou que a prospecção de cenários (foresight) será utilizada para identificar tendências e possíveis cenários futuros. Segundo ele, a metodologia pode contribuir para tornar a instituição ‘antifrágil’, ao permitir que fragilidades identificadas sejam utilizadas como oportunidades de aperfeiçoamento.
Complementando essa visão, o secretário de Governança e Gestão Estratégica do TST, Francisco Nina, apontou o desafio de “conectar metas de longo prazo com a rotina das unidades". Segundo ele, a estratégia deve ser simples e capaz de transformar mudanças em oportunidades de melhoria para a instituição.
Planejamento nacional e regional
A construção do plano nacional será articulada com os 24 Tribunais Regionais do Trabalho. Para isso, será utilizada a metodologia da “Cascata Adaptada”, que permite aos TRTs avançar na elaboração de seus planos locais à medida que as etapas nacionais forem concluídas.
Com esse modelo, diagnósticos e estudos produzidos pelo TST e pelo CSJT serão compartilhados, e algumas atividades poderão ser desenvolvidas de forma independente pelos próprios TRTs. A proposta segue as diretrizes gerais estabelecidas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), previstas na Resolução CNJ nº 692, mas permite adaptar a execução do planejamento às características de cada região.
A construção do planejamento também contará com a escuta ativa de advogados, magistrados, servidores e representantes da sociedade civil. Para o coordenador da Comissão Gestora de Metas Nacionais do TST, ministro Cláudio Brandão, essa abertura é indispensável para construir metas mais alinhadas às demandas do cidadão.
Tecnologia, ética e controle humano
O avanço tecnológico será um dos fatores considerados no planejamento, especialmente diante da expansão da inteligência artificial e de novas formas de organização do trabalho.
A chefe de Assuntos Internacionais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), Maíra Lacerda, chamou a atenção para o risco de algoritmos reproduzirem vieses e preconceitos humanos. Para ela, cabe ao Estado “garantir acessibilidade e mecanismos de revisão humana em processos automatizados, especialmente no trabalho por plataformas”.
A atuação conjunta entre o MTE e o Judiciário trabalhista também foi destacada por ela como importante diante dessas transformações.
No campo da atividade jurisdicional, Cláudio Brandão apontou novos desafios éticos e operacionais decorrentes do uso de tecnologias. Segundo o ministro, os riscos já não estão restritos aos ataques cibernéticos e também envolvem sistemas automatizados capazes de interferir em processos de decisão. “A tecnologia não deve suplantar a ética e o controle humano”, defendeu.
(Fernanda Duarte/JS//CF)