Justiça 4.0 apresenta transformação digital do Judiciário a países latino-americanos
Representantes dos poderes judiciários de El Salvador, México e Peru participaram, entre os dias 21 e 23 de julho, da III Visita Técnica Internacional do Programa Justiça 4.0, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). O encontro buscou fortalecer o intercâmbio regional e estimular a disseminação de boas práticas de inovação tecnológica aplicadas ao sistema de justiça.
Ao longo de três dias de programação, as delegações internacionais conheceram a trajetória de digitalização da Justiça brasileira, incluindo os principais marcos normativos, a implementação de políticas públicas, os desafios enfrentados e as soluções desenvolvidas para impulsionar a modernização do setor. Também foram apresentados o escopo de atuação do Programa Justiça 4.0, os produtos tecnológicos desenvolvidos pela iniciativa e os modelos de governança adotados, além das estratégias de comunicação, capacitação e gestão do conhecimento que sustentam a transformação digital do Judiciário brasileiro.
Os participantes acompanharam, ainda, apresentações sobre os sistemas processuais eletrônicos adotados no país e sobre estratégias nacionais, como a Política de Inteligência Artificial do Poder Judiciário. Além disso, conheceram a estruturação do Justiça [+Segura], novo programa de segurança cibernética do CNJ e do Pnud.
Na abertura da visita técnica, o juiz auxiliar da Presidência do CNJ e coordenador do Programa Justiça 4.0, João Felipe Menezes Lopes, destacou que o evento foi estruturado como um espaço de aprendizado mútuo. “Esperamos que os participantes retornem com uma visão geral do processo de transformação digital vivido pelo Poder Judiciário brasileiro, mas, acima de tudo, que possamos construir uma interlocução permanente entre nossos países”, disse.
A representante-residente adjunta do Pnud no Brasil, Elisa Calcaterra, ressaltou que o encontro representa uma oportunidade estratégica para identificar novas possibilidades de atuação conjunta entre os países latino-americanos. “O Programa Justiça 4.0 vem se consolidando como uma referência regional e internacional em transformação digital. Esse diálogo entre os países reforça o papel da cooperação internacional como instrumento para acelerar a inovação e fortalecer o sistema de justiça”, afirmou.
Também coordenador do Programa Justiça 4.0, o juiz auxiliar da Presidência do CNJ Dorotheo Barbosa Neto observou que a proposta da visita técnica foi compartilhar não apenas os resultados alcançados, mas também os desafios enfrentados ao longo do desenvolvimento do Programa Justiça 4.0.
“Mais do que nossos exemplos e nossas conquistas, queremos mostrar o que não deu certo e por que não deu certo. Temos certeza de que toda essa experiência poderá oferecer aprendizados proveitosos para cada país”, avaliou.
III Visita Técnica Internacional — Intercâmbio de Boas Práticas com Autoridade Nacional de Controle do Poder Judiciário do El Salvador. Foto: Luiz Silveira/CNJ.
Cooperação regional
Para as delegações visitantes, a agenda representou uma oportunidade de conhecer experiências consolidadas e avaliar possibilidades de adaptação às realidades nacionais.
O magistrado e presidente da Câmara do Contencioso Administrativo da Suprema Corte de Justiça de El Salvador, José Ernesto Clímaco Valiente, explicou que a missão buscou identificar oportunidades de inovação e compreender como o Brasil estruturou sua estratégia de transformação digital.
“É fundamental avaliar de que forma as novas tecnologias podem ajudar a reduzir custos, aumentar a eficiência e otimizar a tomada de decisão. Nesse contexto, o estabelecimento de alianças estratégicas é indispensável. Mas só vamos saber se compararmos experiências. Não há forma mais eficaz de avançar do que por meio da cooperação e da troca de experiências entre instituições que enfrentam desafios semelhantes”, explicou.
Já a diretora-geral de inovação e desenvolvimento tecnológico do Poder Judiciário do Estado do México, Cynthia Barrales Rodríguez, comentou que o Judiciário mexicano também vem avançando no processo de digitalização e vê no intercâmbio regional uma oportunidade para construir instituições sólidas e mais próximas das pessoas.
“Nenhuma experiência pode ser copiada integralmente. Porém, compartilhar boas práticas permite acelerar a inovação e evitar erros já superados por outras instituições. Nosso propósito é não apenas construir uma Justiça mais digital, mas garantir que ela não perca de vista o capital humano e utilize a tecnologia para se aproximar das pessoas, fortalecer a confiança pública e oferecer serviços oportunos, seguros e transparentes”, concluiu.
Esta foi a terceira edição da Visita Técnica Internacional do Programa Justiça 4.0, que, desde 2025, já reuniu representantes de países como Equador, Paraguai, Uruguai, Colômbia, República Dominicana e Moçambique.
Programa Justiça 4.0
A iniciativa resulta de um acordo de cooperação firmado entre o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), com apoio do Conselho da Justiça Federal (CJF), do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Tribunal Superior do Trabalho (TST), do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) e do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Seu objetivo é desenvolver e aprimorar soluções tecnológicas para tornar os serviços oferecidos pela Justiça brasileira mais eficientes, eficazes e acessíveis à população.
Texto: Danielle Pereira
Edição: Ana Terra e Vanessa Beltrame
Revisão: Caroline Zanetti
Agência CNJ de Notícias
Número de visualizações: 20